quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Contribuições Tupi ao Léxico Português



"A língua é ou faz parte do aparelho ideológico, comunicativo e estético da sociedade que a própria língua define e individualiza." (Leonor Buescu)

Só a partir da segunda metade do século XVIII é que o Brasil pode começar a ser definido como um espaço de língua dominante portuguesa, devido à conhecida política lingüístico-cultural desenvolvida pelo Marquês de Pombal. A repressão ao uso de línguas indígenas, sobretudo de base tupi tronco lingüístico mais difundido na área já colonizada, desencadeada por essa orientação política, tirou o Brasil de um rumo que poderia tê-lo levado a ser um país de base lingüística majoritariamente indígena.

Os dois séculos e meio de colonização que precederam a decidida política pombalina recobrem múltiplas situações de contacto lingüístico, entre falantes da Língua Portuguesa e centenas de línguas autóctones (continuam vivas e em uso, por minorias, é claro, ainda cerca de 180 delas) e múltiplas línguas africanas, chegadas ao Brasil desde 1538 até à extinção do tráfico no século XIX. " (Rosa Virgínia Mattos e Silva, 1995, " O Português são dois")

Embora tendo prevalecido sobre as demais línguas aqui postas em contato, o português não poderia deixar de sofrer modificações e de receber influências e contribuições. A influência tupi é mais significativa no vocabulário, conforme se verifica nos exemplos abaixo.

Topônimos
Abaeté, Andaraí, Aracaju, Anhangabaú, Atibaia, Araxá, Baependi, Bagé, Bauru, Borborema, Butantã, Caçapava, Cabuçu, Caju, Carioca, Catete, Catumbi, Cambuquira, Gamboa, Guanabara, Guaratiba, Jacarepaguá, Jurujuba, Inhaúma, Irajá, Icaraí, Itajaí, Maracanã, Pavuna, Pará, Paraná, Paranaguá, Paranaíba, Paraopeba, Paranapanema, Tijuca, Taubaté, Tamandaré, Tabatinga, Sumaré, etc.

Antropônimos
Araci, Baraúna, Cotegipe, Caminhoá, Guaraciaba, Iracema, Iraci, Jaci, Juraci, Jurema, Jupira, Jucá, Moema, Piragibe, Sucupira, Ubirajara, Araripe, Sinimbu, Bartira, Graciema, Inaiá, Irani, Jacira, Jandira, Iara, Oiticica, etc.

Flora
Abacaxi, brejaúva, buriti, carnaúba, capim, caruru, cipó, jacarandá, jaboticaba, peroba, pitanga, canjarana, caroba, jiquitibá, mandioca, aipim, imbuia, ingá, ipê, sapé, taquara, tiririca, araticum, maracujá, caju, caatinga, etc.

Fauna
Araponga, acará, caninana, capivara, coati, curiango, curió, gambá, irara, jacu, jaburu, jararaca, juriti, lambari, nhambu, mandi, paca, piranha, sabiá, sanhaço, maitaca, saúva, tamanduá, siriema, tanajura, tatu, urubu, saracura, surubi, sucuri, sagüi, etc.

Usos, Costumes, Crenças, Moléstias.
Arapuca, jacaá, pari, tipiti, urupema; moqueca, curau, mirandó; saci, caipora, curupira, cuca; sapiroca, catapora, sapiranga; pororoca, piracema, carijó, sambanga, sarambê, punga, etc.

Fraseologia
Estar ou andar na pindaíba, andar ao uatá ou atá, chorar pitanga, estar à tocaia ou de tocaia, cair na arataca, estar em arataca, ficar de bubuia, etc.
As áreas lingüísticas mais afetadas pela influência do negro foram a fonética e a morfologia, nas quais se nota uma tendência para a simplificação. Os exemplos abaixo comprovam esta afirmação:.

Contribuições Africanas ao Léxico Português
Embora menos acentuadamente, a área do vocabulário também apresenta alguma influência africana.

Da Língua Nagô
Ogum, Orixá, vatapá, abará, cará, acarajé, afurá, alujá, babalaô, babalorixá, Exu, orô, Oxum, Xangô, aberém, acassá, afofiê, agogô, etc.

Do Quimbundo
Moleque, cachimbo, quitanda, maxixe, samba, molambo, bangüê, banzar, caçula, cafuné, camundongo, canga, carcunda, cochilar, dengue, fubá, marimbondo, marimba, birimbau, mocambo, muxiba, quitute, senzala, sungar, xingar, etc.

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